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 Enxaqueca na criança


Criança tem enxaqueca?

Sim. Estima-se que 4 a 8% das crianças tenham enxaqueca. Muitas começam aos 5 anos de idade e há pais que asseguram que mesmo antes, seus filhos já se queixavam de dor de cabeça.

De fato, a enxaqueca pode se iniciar entre os 5 e os 40 anos de idade e 40% daqueles que iniciam a sua dor antes dos 10 anos podem entrar em remissão (fim da dor) espontânea durante a puberdade. Os meninos apresentam uma ligeira predominância sobre as meninas no tocante a prevalência da enxaqueca e isto será revertido após a puberdade, quando começam a ser produzidos os hormônios sexuais e o estrogênio, que sofre oscilações normais durante o mês no sangue das meninas.


Como saber se a criança está com dor de cabeça?

É problemático muitas vezes, saber se realmente a criança tem dor de cabeça, enxaqueca ou se está simplesmente imitando algum parente próximo que sofra de dor de cabeça. No entanto, se a criança começa a evitar fazer o que gosta por causa de dor de cabeça e não apenas aquilo que lhe é desagradável,é hora de pensarmos na veracidade das queixas. Se tiver algum parente de primeiro grau com enxaqueca que com ela convive, aí então é bem provável que esse seja o seu problema em função da transmissão hereditária desta doença.


Como reconhecer a enxaqueca na criança?

A apresentação clínica dos ataques de enxaqueca é um pouco diferente nas crianças. Apresenta-se, geralmente, da seguinte forma:

· Dor mais em peso ou pressão;
· Localização na fronte dos dois lados;
· Intensidade moderada (portanto geralmente inferior a dos adultos);
· Duração inferior a 4 horas é o mais freqüente;
· Os sintomas associados de enjôo, vômitos e intolerância à luz, ruídos e odores fortes também são comuns.


Diferenças de apresentação clínica das crises de enxaqueca em crianças e adultos

 

Localização da dor

Qualidade da dor

Intensidade da dor

Duração da dor*

Enjôo

Vômitos

Intolerância à claridade

Intolerância à ruídos

Crianças

Fronte

Peso

Moderada

menor ou igual a 1 hora a várias horas

Comum

Incomum

Comum

Incomum

Adultos

Fronte e têmpora

Pressão ou latejamento

Moderada a forte ou forte

4 a 72 horas

Comum

Comum

Comum

Comum


Fatores deflagradores de enxaqueca em criança

Nas crianças, a influência alimentar nas crises de enxaqueca é mais marcante do que nos adultos e não raro as próprias crianças aprendem a evitar determinados alimentos. Isso talvez se deva não apenas ao hábito moderno de ingerir freqüentemente comidas do tipo junk food ou fast food tais como sanduíches com queijo cheddar e molhos, cachorro quente, batata frita, brigadeiros, doces e confeitos ricos em corantes artificiais e refrigerantes do tipo cola como também a ausência relativa, na vida das crianças, da maioria dos outros fatores deflagradores das crises nos adultos como menstruação, estresse do dia a dia, ambientes com ar viciado ou repleto de fumaça e maus hábitos de sono. Entretanto, nem sempre uma determinada criança com migrânea irá sempre apresentar crises quando da ingestão de um certo alimento. Isso pode ocorrer em uma ocasião e não em outra, obrigando os pais a uma observação mais atenta em conjunto com seus filhos queixosos.

Alimentos de ingestão comum em crianças que podem deflagrar crises de enxaqueca

Alimento

Substância envolvida

Sanduíches

Queijo amarelo - tiramina

Cachorro quente

Salsicha - corantes vermelhos nitritos/nitratos

Doces do tipo brigadeiro

Chocolate - feniletilamina e cafeína

Confeitos coloridos

Derivados da anilina

Frituras

Batatas fritas - frituras

Sorvetes diversos

Chocolate - feniletilamina e cafeína

Iogurtes

Derivados do leite e espessantes

Refrigerantes tipo cola

Cafeína

Frutas cítricas

Laranja, limão - l'octopamina


Tratamento preventivo de enxaqueca em criança

Tratar enxaqueca em criança é sempre um dilema. Dar ou não remédios? Dúvida frequente em função das possíveis complicações e efeitos colaterais das medicações usadas.
O que norteia a utilização de medicamentos preventivos para o tratamento da enxaqueca em criança são parâmetros como:

· periodicidade dos episódios dolorosos;
· intensidade da dor;
· grau de incapacidade funcional que acarretam;
· a resposta da criança ao tratamento das crises e
· possibilidade de existência de outras doenças que porventura a criança tenha.

Crianças que apresentem uma ou no máximo duas crises de enxaqueca por semana mas que não são prejudicadas por elas, não devem utilizar medicamentos em caráter diário para preveni-las. Se no entanto, esta mesma frequência de uma ou duas vezes por semana se traduz em crises incapacitantes, que obrigam ao uso de analgésicos muitas vezes em doses altas, e afastam a criança de suas atividades por várias horas ou mesmo durante todo o dia, devem ser prevenidas com o tratamento.

Embora saibamos que todo e qualquer medicamento tem as suas contra-indicações e efeitos colaterais, o médico consciente, que avaliou bem o caso, saberá escolher as substâncias que podem ser usadas sem prejuízo para a criança.


Tratamento das crises de enxaqueca em crianças

O tratamento das crises em crianças também difere do tratamento de adultos. Enquanto as crises infantis são mais leves e geralmente de duração inferior, as dos adultos tendem a ser mais dramáticas e incapacitantes. Por isso, não raro as crianças não utilizam remédios para combatê-las aprendendo a buscar elas próprias, o repouso ou o ato de dormir, que frequentemente trazem alívio. Muitas vezes, água fria na face e cabeça representam grandes aliados à melhora da dor. Em outras ocasiões entretanto, é necessário o uso de medicamentos para as crises que também diferem dos usados em adultos.
É muito importante que a criança seja avaliada por um médico e se possível um neurologista, para eliminar as causas mais graves da dor de cabeça. Discordamos da solicitação de vários exames complementares tais como eletroencefalogramas, tomografias computadorizadas e outros na ausência de dados e alterações no exame físico e neurológico completos.É muito comum a prescrição de antiepilépticos a crianças que apresentaram "achados" de anormalidade em eletroencefalogramas solicitados na vigência exclusiva da dor de cabeça.

Veja mais em: Mitos e Verdades


 

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