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 Tratamento

 
Devo tratar minha dor de cabeça crônica com analgésicos?

NÃO. Este é o maior erro que se pode cometer! O uso regular e freqüente de analgésicos transforma ao longo do tempo a dor que não era diária em uma dor de cabeça que se manifesta todos os dias. Estudos revelam que basta usar analgésicos mais de duas vezes por semana por mais de três meses seguidos que isto já pode ocorrer.

Os tratamentos alternativos são úteis para dor de cabeça.

EM TERMOS. Dependendo do tipo e causa da dor de cabeça, tratamentos como homeopatia, acupuntura, shiatsu, fisioterapia e outros podem melhorar um pouco o sofrimento desses pacientes. No entanto, toda e qualquer dor de cabeça intensa e recente, ou que acorda o paciente à noite, ou que é acompanhada de vômitos ou sintomas neurológicos ou que vem se agravando ao longo do tempo, deve ser avaliada por um neurologista. O uso de tratamentos alternativos, nesses casos, pode atrasar de forma importante a conduta correta. Entendemos que dores de cabeça crônicas primárias como as enxaquecas NÃO se beneficiam destes tratamentos.

Medicamentos para o tratamento preventivo da enxaqueca devem ser tomados pelo resto da vida.

EM TERMOS. A enxaqueca é uma doença crônica como a hipertensão arterial, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica e outras que devem ser tratadas durante toda a vida do paciente. No entanto, sempre tentamos retirar a medicação preventiva após 8 a 12 meses de uso se o paciente está bem. Alguns voltam a ter as crises e outros não, determinando assim a necessidade de uso das drogas preventivas.

Os medicamentos preventivos podem prejudicar a minha saúde?

SIM. Se usados incorretamente, por profissionais que desconhecem a farmacologia destas drogas, trazem efeitos colaterais a curto e a longo prazo. Se entretanto, são prescritos cuidadosamente, com início bem gradual e por médicos realmente habilitados e conscientes, a tolerabilidade é excelente e os efeitos colaterais a longo prazo são desprezíveis. A associação de drogas preventivas pode ser necessária para reduzir as doses, obter sinergismo de ação (uma droga melhora o efeito da outra) e individualizar o tratamento. Isto não significa que o paciente é mais grave do que outro que só toma uma única substância preventiva.

É verdade que o tratamento para enxaqueca engorda ?

NÃO NECESSARIAMENTE. Muitas das drogas usadas para este tratamento preventivo afetam o nível cerebral da serotonina e de um outro neurotransmissor denominado neuropeptídeo Y. Essa é uma das razões pelas quais o paciente melhora muito, mas também pode ter uma alteração no funcionamento do centro da fome cerebral e passar a apresentar maior apetite para carbohidratos como doces, pães e massas. Além disso, pacientes que melhoram da enxaqueca passam a alimentar-se melhor e até a comer tipos de alimentos que não podiam comer antes por causa da dor de cabeça. Logo, é fundamental que todos aqueles que estão em tratamento façam uma dieta rigorosa de restrição de calorias e principalmente de doces. Isso geralmente irá evitar o aumento de peso e a consequência de tornar o paciente gordo após o tratamento.

O meu médico mandou que eu tomasse meu remédio de 6 em 6 horas até que a dor de cabeça passasse. Isso é correto ?

NÃO. Esta é uma conduta ultrapassada disseminada em períodos nos quais se ignorava completamente os mecanismos envolvidos. O tratamento das crises deve ser realizado de maneira objetiva e eficaz, com drogas que funcionem bem para aquele paciente e optando-se por drogas que abortem a crise dentro de poucas horas.

O tratamento da enxaqueca no meu filho pode trazer consequências graves ?

SIM. Quando não realizado corretamente, com drogas e doses que não se adequam à criança, podem trazer consequências piores do que a própria enxaqueca. É necessário que o médico esteja atualizado e conheça profundamente as drogas a serem utilizadas. Além disso, as crises de enxaqueca nas crianças realmente tendem a ser mais leves e menos duradouras, frequentemente cedendo sozinhas ou só com repouso. Nestes casos não se justifica o uso de remédios. Apenas se a criança está sendo incapacitada em suas atividades é que deve ser submetida à prescrição de medicamentos.

Tratamento não medicamentoso é indicado para enxaqueca em crianças?

SIM. A dieta sem os possíveis alimentos deflagradores, a técnica do Biofeedback térmico e hábitos regulares de sono, alimentação e atividades diminuem notavelmente o número de crises, embora não necessariamente vá eliminá-las.

As crianças podem usar as novas drogas para crises chamadas de triptanos ?

NÃO. Apesar de estarem sendo apresentados os primeiros estudos dos triptanos com adolescentes, a experiência adquirida ainda não é suficiente para indicar o seu uso em crianças.

O tratamento da enxaqueca é diferente no idoso?

SIM. Tanto as drogas usadas para o tratamento preventivo como aquelas para as crises de dor devem ser usadas em função da presença de doenças concomitantes e comuns da velhice de forma diferente, em doses e combinações, da utilização habitual no não idoso.

O uso de remédios para enxaqueca pode prejudicar a saúde dos idosos?

SIM. Se usados da mesma forma que nos não idosos e considerando as doenças comuns da velhice, podem agravá-las ou trazer conseqüências mais sérias aos pacientes desta faixa etária.


 

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