Escrava do medo das crises de enxaqueca e, consequentemente, dos analgésicos que tomava a cada seis horas, a aposentada TCN chegou a passar cinco anos sem assumir nenhum compromisso fora de casa.

Escrava do medo das crises de enxaqueca e, consequentemente, dos analgésicos que tomava a cada seis horas, a aposentada TCN chegou a passar cinco anos sem assumir nenhum compromisso fora de casa.

Minutos pareciam uma eternidade na vida de TCN, aposentada, 49 anos e residente no Rio de Janeiro. Isso porque ela nos informou que aguardava ansiosamente para que pudesse usar outra vez os seus analgésicos. Como havia sido instruída a tomar os comprimidos de vioxx, tandrilax e exedrin apenas de seis em seis horas e como a dor geralmente retornava antes desse tempo, a Sra T vivia em função dos minutos remanescentes para tomá-los de novo. Com dor de cabeça desde os nove anos de idade, que tornou-se diária há cerca de 10 anos, T desistiu de seu casamento, profissão e até de uma participação mais ativa na vida de seus filhos por causa da dor de cabeça que não a deixava em paz. Escrava dos analgésicos de vários tipos que usava a cada seis horas, T já não assumia nenhum compromisso fora de casa há cinco anos e nem sequer compareceu à festa de casamento de seu filho, tamanho era o temor antecipatório de sentir dor de cabeça forte e vomitar na cerimônia.
Ciente da necessidade urgente de parar os analgésicos e iniciar um tratamento que funcionasse, T nos procurou em prantos e se disse disposta a tudo para melhorar. Felizmente, tudo o que precisamos foi de seu sacrifício em suspender todos os remédios então utilizados e a aderência irrestrita aos medicamentos preventivos e as demais medidas gerais. Após cinco semanas T já era outra pessoa. Vários dias sem dor se passaram e aquela senhora infeliz, nervosa e deprimida, com enorme dependência física e psíquica de vários remédios, tornou-se novamente independente como era na adolescência e no início de sua vida adulta.