Anticorpos Monoclonais para Enxaqueca

Os anticorpos monoclonais anti-CGRP são as mais novas terapias contra a enxaqueca ou migrânea. CGRP significa Calcitonin Gene-Related Peptide e representa um dos peptídeos envolvidos na cascata de fenômenos químicos que são observados durante uma crise de dor de cabeça em pacientes com enxaqueca. Além disso, o CGRP é um dos mais potentes vasodilatadores de nosso organismo. O seu antagonismo ou bloqueio, bem como o bloqueio de seu receptor, podem desempenhar papel importante na prevenção ou no combate as crises de dor de cabeça da enxaqueca.

São 4 os anticorpos desenvolvidos e no final de 2018, apenas 3 haviam sido aprovados para uso clínico nos Estados Unidos. Não se sabe exatamente quando estarão disponíveis no Brasil, mas no dia 25 de março de 2019, o erenumabe foi aprovado pela ANVISA para comercialização aqui. Estima-se que três meses após esta data já se conheçam os preços em nosso país e a data de disponibilidade nas farmácias brasileiras. O Fremanezumabe, da TEVA, provavelmente estará disponível no final de 2019/início de 2020 e o galcanezumabe da Lilly foi aprovado pela ANVISA na última semana de julho de 2019. O quarto anticorpo monoclonal anti-CGRP, o epitnezumabe provavelmente não será lançado no Brasil.

Embora a sua eficácia não seja excepcional e talvez nem seja melhor do aquela observada com uma combinação racional das drogas já disponíveis no Brasil, a sua tolerabilidade e a facilidade com que são usados, em injeções subcutâneas administradas a cada intervalo de um mês, os torna bem melhores em termos de adesão e menos efeitos colaterais. A análise dos estudos disponíveis sugere que todos os três já aprovados para uso clínico têm eficácia similar e talvez a variação nos esquemas de doses é que faça a grande diferença entre os vários tipos de pacientes. O fremanezumabe por exemplo, foi estudado em doses de 225mg a cada 30 dias ou 675mg de uma só vez a cada três meses. A nossa opinião é de que esses anticorpos serão usados por muitos dos pacientes em conjunto com o que existe hoje no arsenal de medicamentos e raramente serão usados como terapia única para enxaqueca.

Além disso, é preciso se tomar muito cuidado com os médicos que não sabem prescrevê-los, pois o seu uso de forma incorreta e para as indicações inadequadas pode resultar em ineficácia e frustrações. Aliás, como aconteceu com os triptanos na década de 90 no Brasil, alguns médicos com pouco conhecimento e escolhidos apenas por influência política, estiveram envolvidos nas aulas para ensinar a classe médica a usá-los. Resultado: fracasso e uso inadequado fizeram com que os médicos quase abandonassem essa classe de medicamentos. Pelo que temos visto no final deste primeiro semestre de 2019, nem todos os envolvidos na divulgação dos anticorpos monoclonais têm realmente capacidade técnica e didática para ensinar algo aos seus colegas que tratarão os pacientes.

Ao longo do tempo utilizaremos este espaço para mantê-los atualizados, mas cuidado com os mercantilistas e pouco criteirosos que farão de tudo, como fazem com a toxina botulínica, para ganhar dinheiro em condutas pouco éticas e pouco eficientes.